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Série 'Vertentes' // Jaime Prades


“As telas de Prades parecem crescer para além do espaço pictórico num movimento manso, cuja geometria sutil, em alguns trabalhos, sugere uma membrana que respira. Ele persegue essa geometria mole como uma resposta feminina àquela geometria rígida, de arestas, “masculina”. Segue uma direção oposta à razão; tem interesse pela linha contínua que quer libertar a subjetividade e redimir o prazer. A espessura das linhas e sua sinuosidade fazem lembrar as marcas de um arado, o objeto que cava para revolver e assim arejar o solo, permitindo que aquilo que está por baixo, dentro, seja exposto à superfície. Da mesma maneira, volta e meia, esses “sulcos” sugerem trançados, remetendo ao mundo do tecer e do fiar, tradicionalmente, como se sabe, associado ao feminino.

Como se pode notar, o trabalho do artista é repleto dessas ambiguidades: um mundo gráfico que habita a pintura, uma pintura que não demonstra discutir a pintura, mas que é elaborada como tal contendo várias camadas materiais absolutamente sutis, uma geometria que diz das sensações e não visa explorar a relação entre os elementos formais. 

A pintura pulsante de Prades nos seduz fazendo nossos olhos vagarem suavemente pelas suas formas, e, como com o canto das sereias – e seus cabelos serpenteados –, devemos nos permitir sermos seduzidos porque não tememos o fundo do mar ao qual certamente seremos levados. Nas palavras de Klee, “Deixe-se tragar por este mar revigorante, por um largo rio ou por encantadores riachos, tais como o da arte gráfica aforística, pluri-ramificada””. 

Ana Avelar
curadora, crítica de arte e historiadora


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