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Novidades + bate-papo com Fernanda Peralta


Fizemos algumas perguntas à artistaFernanda Peralta, para conhecer melhor o processo de duas de suas mais recentes obras, novidades no site! 
Explore mais sobre 'Duas amantes dançando' e 'Na água, ao pôr do sol', suas influências e mais algumas coisinhas.

Leia, abaixo ☆
Essas obras começaram como uma ideia bem definida. Surgiram do desejo de representar paisagens fantásticas que provocassem no espectador sua imaginação e sentidos. Minha inspiração é a realidade, mas com algo a mais, algo inexplicável e estranho: tenho muita influência das minhas leituras, e o que estou lendo no momento são contos de literatura fantástica dos mais diversos autores, épocas e lugares do mundo. Cada vez mais creio que a linguagem fantástica é universal e que pode nos ajudar a descrever e a compreender melhor o mundo em que vivemos.

Obra 'Na água, ao pôr do sol', guache sobre papel, 29,7 x 42 cm, R$ 1.450
No processo que sigo, a ideia muitas vezes vem de forma espontânea, mas o planejamento sempre existe: imagino a cena que quero representar e quando vou traduzir para o papel, é preciso repassar o conjunto. Tanto que meus estudos, ainda que pequenos, normalmente têm elementos que depois mudam de lugar ou nem ao menos aparecem no trabalho final. Acho que isso acontece pela mudança de material (já que meus estudos são feitos com lapiseira e grafite e a obra final é feita com guache), pela mudança de escala (enquanto o trabalho final tem 42 x 29,7 cm, os estudos não passam de 5 cm de largura) mas também pelo amadurecimento da ideia, que faz com que naturalmente o resultado final seja mais pensado e mais bem resolvido.

Estudo da obra 'Na água, ao pôr do sol'
Escolhi para esses trabalhos a tinta guache, porque acho muito mais fácil atingir a paleta de cores que eu queria com ela. O acabamento mais opaco (quando comparado à aquarela por exemplo), mas onde ainda se vê o movimento das pinceladas e o encontro e a mistura dos tons era exatamente o acabamento que achei que fosse contribuir para as cenas.
Acho que com essas paisagens de agora eu quis deixar um pouco de lado os elementos arquitetônicos e os ambientes internos, com pisos, colunas e espelhos d'água, e tentar imaginar espaços mais abertos, onde se vissem mais os elementos da natureza (rios e lagos, vegetação natural, montanhas). Claro, ainda há construções representadas: casas, portas, janelas, mesas, vasos e objetos feitos pelo homem. Mas gosto de imaginar que, aqui, a natureza está mais livre e menos domada pelo homem. O nu feminino entra justamente para reforçar essa ideia, das formas orgânicas, da liberdade e da naturalidade. 

Obras da série 'Oriente'


Gosto de representar portas e janelas como uma 'medida do humano', mesmo que minhas paisagens sejam fantásticas e não reais. Gosto da mistura de coisas que existem e coisas que provavelmente não existiriam, mas que no universo da arte podem estar juntas, formando um contraste interessante. Além disso, portas e janelas podem sempre representar uma passagem, uma conexão (com o exterior ou com o interior), e uma promessa de continuidade e de que há algo a mais para ser visto além do que se vê de imediato.
Estudo da obra 'Na água, ao pôr do sol' e seus elementos
A paleta de cor é sem dúvida o que mais me toma tempo para estabelecer. É difícil começar no papel totalmente em branco, e as primeiras pinceladas sempre me deixam nervosa, mas normalmente consigo definir algumas cores (por exemplo, 'quero a grama verde amarelada e o céu azul-claro'), e a partir daí, as demais cores vêm naturalmente. Uma coisa que aprendi foi a escurecer os tons usando sua cor complementar, ao invés de usar preto: isso torna o conjunto cromático bem mais real, harmônico e complexo, além de ficar mais bonito, na minha opinião. O godê (o lugar onde misturamos as tintas) sempre fica com várias cores que acabam se misturando muito entre si, e isso também contribui para a identidade e unidade cromática.

Obra 'Duas amantes dançando', guache sobre papel, 29,7 x 42 cm, R$ 1.450
Acho que isso tudo revela que sou uma pessoa que tem facilidade de resolver 'problemas' de maneira visual, seja esse 'problema' o projeto de um livro (já que trabalho com design no mercado editorial, principalmente) ou uma ideia que tenho na cabeça e que quero que vire uma obra. Na arte, eu gosto de exercício de tentar representar uma coisa que é difícil de ser colocada em palavras, e por causa do meu trabalho e da minha formação, me esforço muito para fazer de cada obra uma peça gráfica completa e única, com cada elemento desempenhando seu papel e sua função de maneira harmônica (um pouco como um designer gráfico deve fazer com seus projetos).
A artista, Fernanda Peralta, e seu godê, onde mistura as tintas
 

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